Cirúrgico, nada mais, nada menos.

Cirúrgico, essa palavra define o Inter no jogo de ontem, contra o Corinthians em Itaquera. Tão cirúrgico quanto aquele café nas manhãs mais sonolentas, aquele pão francês nas tardes mais esfomeadas e aquela soneca nas noites mais pesadas.

O Internacional, depois de diversos jogos de sofrimento e angústia, enfim passou um jogo tranquilo, que mesmo feio, rendeu 3 pontos essenciais em uma tabela mais embolada do que nunca, e na semana mais importante possível.

O técnico Paulo Pezzolano, novamente, decidiu abrir mão de suas próprias convicções e escalou um time mais focado na solidez defensiva, abrindo mão de Alerrandro e Alan Patrick para dar espaço para Borré e Bernabei como meia esquerda, congestionando o meio campo com Paulinho e o ótimo Villagra para saídas rápidas em transição contra a lenta defesa corintiana, que ainda estava desfalcada, com a ausência de Matheus Bidu, o melhor lateral corintiano.

Mesmo que resultando um jogo terrível na primeira etapa, o Corinthians pouco fez contra a bem postada defesa colorada, que em momento algum deixou grandes espaços ou cedeu grandes chances para o elenco corintiano, que mesmo em casa, se via encurralado em meio a desfalques e más fases individuais.

No segundo tempo, ambos os times decidem voltar com maior intensidade ofensiva, com direito a pressões no ataque e corridas nas costas da defesa.

O Inter acionava Bernabei, Vitinho e Carbonero com frequência, enquanto o Corinthians, agora com Garro dividindo a armação com o inglês Jesse Lingard, insistia em lances pelo meio, parando em Villagra e na boa atuação do zagueiro Victor Gabriel e do lateral Bruno Gomes, que centralizou diversas vezes para colaborar na saída de bola colorada, quase que como um zagueiro a mais.

Entre lances sem perigo e chegadas mais firmes do Inter, Carbonero encontra a jogada que o Inter precisava, aciona Thiago Maia, que lança Bernabei em velocidade, que, tal qual um ponta de nascença, corta pro meio e finaliza de forma magistral para cravar o placar em prol do Colorado e trazer a vitória para o Beira-Rio, sendo o presente de aniversário que todo torcedor esperava para os 117 anos de Inter.

Um jogo sólido, convicto, sem sustos, que coloca o Inter a 4 pontos do Z-4 e do G-6, consolida a boa fase colorada, com 10 pontos de 12 possíveis nos últimos jogos e tendo uma semana de preparação para o Grenal no sábado, em casa, para afastar a má fase e olhar para coisas melhores na tabela.

Aplausos para a organização defensiva, principal calcanhar de aquiles colorado na temporada, mostrando que mesmo com pouco material humano, Pezzolano esta conseguindo extrair os melhores resultados possíveis do enxuto elenco colorado.

Depois de um começo conturbado, é bom poder escrever análises positivas e com avanços significativos, sempre sendo cirúrgico como o café, como os pães, como a soneca e como o gol de Bernabei na Neo Química Arena. Seguimos, agora é semana Grenal.

8 thoughts on “Cirúrgico, nada mais, nada menos.

  1. Salve A. Felipe!
    Realmente, abordastes com maestria a apresentação das equipes em busca dos relevantes três pontos.
    Saímos consagrados.
    Creio que o alerta foi dado após o final do campeonato gaúcho: toda partida, uma decisão. E eu concordo plenamente: entre a ficção de uma beleza de apresentação a nível de espetáculo, um jogo de xadrez em campo, única forma de garantir os três pontos!

  2. Salve André
    Belo texto.
    Bela e bem importante vitória do Colorado sobre o Coringão na Arena de Itaquera. É raro ganhar deles lá. Pelo menos da nossa parte.
    Sobre datas:
    O Inter foi fundado em 04 de abril de 1909. Quando já era um Senhorzinho, com 60 anos e dois dias inaugurou
    seu magnífico Estádio da Beira-Rio, no dia 06 de abril de 1969.
    Como essa vitória do domingo foi num 05 de abril, ficou bem no meio das duas marcantes datas.

    Sobre o nosso Inter , em seu momento pragmático atual, tendo a pensar como meu colega de comentários, o Aristides. Se não temos elenco para brigarmos lá em cima, então vamos jogar reativamente, o velho pega-ratão do Cláudio Duarte, marcando muito, saindo em rápidos contra-ataques e somando pontos para nos afastarmos cada vez mais da zona tenebrosa, perigosa e vergonhosa!
    Abraço!

  3. Prezado Colorado André Felipe Tozzi de Siqueira,

    Gostei da tua referência acima em relação a aquele café nas manhãs mais sonolentas, aquele pão francês nas tardes mais esfomeadas e aquela soneca nas noites mais pesadas.. 🙂

    Entretanto, tenho uma correção importante a fazer no teu excelente “post” acima: NÂO foi o Thiago Maia que passou a bola para o Bernabéi fazer o gol e sim o Vitinho! O Thiago Maia entrou no jogo DEPOIS do gol substituíndo o Carbonero.. 😉

    Um grande abraço e saudações Coloradas da nublada cidade de Yokohama,

    Wilson Pardi Junior
    Cônsul do Sport Club Internacional no Japão

  4. Olá André, vitória muito importante, como tu abordou a defesa era o calcanhar de aquiles, talvez do pé direito, pois o ataque é do pé esquerdo, um pelo menos parece resolvido.
    A solução do ataque precisa ser resolvida brevemente, pois os dois centroavante quase não concluiram a gols, por falta de criação da equipe ou por falta de boa colocação ou participação adequada na precária produçao coordenada do meio.
    Mas o indispensável aconteceu, vencemos.

    Abraço.

  5. Oi André. Não irei comentar pois não vi o jogo. Mas o teu post ,assim como a crônica esportiva,falaram a mesma coisa. Parabéns.

  6. Muito mais do que convicção, Pezzolano fez o óbvio e descobriu a roda, sendo que deveria ter feito isso desde o início, seguindo a Escola de Celso Roth.
    Diante de um elenco limitado tecnicamente, fecha a casinha e vai no só contra-ataque. Não temos time pra muito mais do que o meio de Tabela, talvez G6, considerando um dos Brasileirões de mais baixo nível técnico dos últimos tempos, onde o Palmeiras flana absoluto, pois mesmo o Flamengo, que rivalizava, passa por uma fase de absoluta precariedade, depois que fez a bobagem de dispensar Felipe Luiz !!
    Infelizmente esta é a nossa triste e atual realidade, quando temos que admitir nossa fragilidade e jogar pela sobrevivência, ouvidando de nosso passado glorioso !!! (*)
    (*) Reflexões de um velho rabujento !!!

  7. Alô você André!
    O CIRÚRGICO, foi muito bem colocado, foi sso mesmo. Pragmatismo também serve para definir o que foi o Inter que não fii brilhante mas sim muito eficiente.
    Diretamente da Cavalhada Porto Alegre RS
    Coloradamente
    Melo

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